A crise econômica que atinge países da Europa pode afetar a
Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o país sedia a partir desta semana, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, nesta terça-feira.
Segundo a ministra, países envolvidos na crise são tradicionais
financiadores de medidas de preservação do meio ambiente e de
sustentabilidade e, com os problemas fiscais e financeiros nessas
nações, os recursos podem ser comprometidos.
"A crise pode atrapalhar numa mobilização de curto prazo para a solução
de meios de implementação, como por exemplo transferência de recursos
adicionais", disse Izabella.
"Alguns países que têm uma larga tradição em financiar projetos de
sustentabilidade estão submetidos à crise e estão revendo suas carteiras
de financiamento", acrescentou.
Para Izabella, a crise e seus efeitos não representam um gargalo para
as negociações "no médio e longo prazo". Esses temas fazem parte das
negociações entre os países que vão participar da conferência no Rio, de
13 a 22 de junho.
O Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, também falou sobre os impactos da crise nas discussões da Rio+20.
"É óbvio que o contexto de crise financeira internacional tem um
impacto grande sobre o que se debaterá no Rio de Janeiro nos próximos
dias e a própria cúpula da Rio+20 será precedida pelo G20", disse o
chanceler ao lembrar que ao contrário do que aconteceu na Eco92, os
países periféricos hoje estão no centro.
Independentemente do cenário econômico global e da ausência de chefes
de Estado de alguns países, como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha,
os ministros frisaram que o compromisso firmado pelo Brasil e que deve
ser acompanhado pelos demais países é de que os pontos firmados na Eco92
não serão alterados.
Acrescentaram que o que vier a ser feito para a preservação do meio
ambiente e desenvolvimento sustentável será para agregar e fortalecer os
compromissos firmados há 20 anos.
"O princípio básico da conferência é não retroceder", disse Patriota.
Izabella negou que as recentes medidas do governo para estimular a
economia brasileira, como a redução de IPI para automóveis, seja
contraditória à posição brasileira de promover o desenvolvimento
sustentável.
Segundo ela, as medidas são de curto prazo e têm o objetivo de proteger
empregos, um dos temas dos pilares fundamentais da cúpula ao lado da
economia verde, governança e erradicação da pobreza.
"A política de redução do IPI não é contraditória à conferência porque
ela está discutindo médio e longo prazo com planos de ação em relação a
produção e consumo sustentável. As medidas levam em consideração uma
situação de crise e desemprego que também a conferência vai discutir",
ressaltou.
"Não defendo que se encha as cidades de carros, mas defendo um trabalho
estruturado e permanente como renovação de frota, veículos que poluam
menos... a conferência pensa nos próximos 20 anos e o consumo
sustentável", concluiu.
Fonte: Exame.com
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