sexta-feira, 27 de julho de 2012

PAC 2 investe R$ 55 bilhões em energia

O eixo energia, da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), registra R$ 55,1 bilhões em investimentos, desde o início de 2011, aumentando em 3.886 megawatts (MW) a capacidade do parque gerador brasileiro. Parte disso se deve à recente entrada em operação de quatro turbinas na Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia.

O quarto balanço do PAC 2, divulgado nesta quinta-feira (26) pelo governo federal, informa que 16 usinas eólicas entraram em operação. Elas representam uma capacidade instalada de 390 MW. Entrou também em operação a Usina Termelétrica Luis Carlos Prestes, em Mato Grosso, com uma capacidade de 127,5 MW.

Com as obras em andamento, a previsão é que a capacidade de geração de energia no país aumente em 27.358 MW, com a construção de 11 usinas hidrelétricas, 30 termelétricas e 58 eólicas, agregando, respectivamente, 18.702 MW, 6.958 MW e 1.553 MW ao sistema. Há ainda oito pequenas centrais hidrelétricas sendo construídas.

Na transmissão de energia, o programa prevê R$ 31 bilhões em investimentos até 2014. Já foram concluídos 2.669 km de extensão, divididos em 14 linhas de transmissão. Entre essas linhas está a que liga Cuiabá a Rio Verde (GO), com 600 km de extensão concluídos. Mais 24 linhas estão em obras, o que agregará mais 10.212 km aos sistema.

De acordo com o quarto balanço, até abril, foram iniciados 321 poços exploratórios de petróleo. Desse total, 161 estão localizados no mar e 160 em terra. Do total, 203 já foram concluídos. O governo destaca que a plataforma da Petrobras P-59 já foi inaugurada e, em breve, poderá iniciar a perfuração de poços.

"Entre 2010 e 2011, aumentamos em 309 milhões de barris nossas reservas nacionais de petróleo e gás natural”, destacou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

O programa está investindo ainda R$ 6,9 bilhões no sistema de escoamento de álcool de Goiás, Minas Gerais e São Paulo. De acordo com o balanço, 8% dessas obras já foram concluídas.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Floresta e o Petróleo



Basta sobrevoar a Amazônia para entender do que se trata: mata, muita mata. E muito densa. É uma massa verde tão compacta que um macaco com propensão ao turismo poderia pular de galho em galho do sopé dos Andes até alcançar o oceano Atlântico. Percorria nesse trajeto 3,5 mil quilômetros em linha direta, uma distancia continental, semelhante à que separa as cidades de Lisboa e Moscou. É por isso que a percepção de Adonias Pereira, um carioca risonho de 29 anos, soa tão estranha. A floresta para ele é sinônimo de mar.
Pereira faz parte de um time de 1,5 mil homens e mulheres que trabalham em uma província petrolífera explorada pela Petrobras, incrustada no coração da Amazônia. O lugar é isolado – como tudo (e todos) na maior floresta tropical da Terra. Fica à margem do rio Urucu, , na bacia de Solimões, 650 quilômetros a sudoeste de Manaus. Ali, só se chega de barco, em percursos tão exaustivos que se tornam proibitivos, ou em vôos com acesso restrito. Eles são especialmente contratados pela estatal para transportar seus trabalhadores. “ Vivemos cercados”, diz Pereira. “É como se estivéssemos em uma plataforma marítima, no meio do oceano”.



É esse “marzão verde”, como define o rapaz, está agitada. A Petrobras retira petróleo e gás em Urucu desde 1986. Nos últimos dois anos, anunciou a descoberta de dois novos poços na região. O primeiro chamado de Igaparé Chibata. Ele foi encontrado no fim de 2010. Desde então, está sendo submetido a testes de produção. O objetivo das análises  é estabelecer o tamanho e a viabilidade da exploração comercial do reservatório. O segundo poço, batizado de leste Chibata, é bem mais fresquinho. Foi descrito publicamente em fevereiro. 

Nos comunicamos oficias dos dois achados, a empresa foi comedida. Não poderia agir de outra maneira. A companhia tem a obrigação de evitar sobressaltos no mercado ao divulgar novas descobertas. Mas no coração da floresta, a localização dos novos poços teve um impacto bem diferente. O clima, ali é de euforia. Os petroleiros cunharam até uma frase, uma espécie de slogan, que define a expectativa em torna da nova frente de exploração “Até hoje, com Urucu, havíamos encontrado o rabo” Agora, achamos o elefante.


O tamanho desse bicho de hidrocarbonetos ainda é um mistério. A análise técnica das concentrações de óleo e gás pode se arrastar até o fim desde ano. Sabe-se, contudo, que o petróleo de Chibata segue um padrão de qualidade semelhante (ou superior) ao de Urucu. Ambos são de primeiríssima linha. O óleo da Amazônia, dizem os técnicos, é leve – menos viscoso que o similares encontrados em outros pontos do país. No quesito pureza, o óleo que se esconde sob mata só encontra equivalente só encontra equivalente no Oriente Médio.


Fonte: Revista Época Negócios -  Ed.63, pág.100



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Hidrovia Mercosul entre Brasil e Uruguai possível em 2014


Um antigo desejo dos setores de logística e de agronegócio do País, principalmente da região Sul, voltou a ser debatido entre autoridades do Brasil e do Uruguai. A Hidrovia Mercosul, que possibilitará o transporte de cargas entre os dois países por meio do corredor Lagoa Mirim-Canal de São Gonçalo-Lagoa dos Patos, deve receber investimentos e intervenções necessárias entre 2013 e 2014. A expectativa é do diretor de Logística e Integração da Ciência da Secretaria de Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Seinfra), Álvaro Woiciechoski.

Em 14 de junho, os governos estadual e federal formalizaram um protocolo de gestão compartilhada para recuperar mil quilômetros de hidrovias e reformar o parque de máquinas do Rio Grande do Sul. Os planos foram apresentados ao vice-presidente da Administração Nacional de Portos da República Oriental do Uruguai, Juan José Dominguez.

A hidrovia é pensada como uma via de mão dupla, servindo de rota de saída para cargas oriundas do Uruguai (por meio do Porto de Rio Grande) e de entrada de produtos brasileiros no mercado uruguaio (principalmente grãos, como a soja). Para Woiciechoski, a implantação da hidrovia serve diretamente aos interesses do Brasil em aumentar as exportações entre os dois países. O presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, cita um estudo feito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) há cerca de quatro anos, por meio da Agência da Lagoa Mirim, que prevê um potencial de 1,5 milhão de toneladas a serem movimentadas na lagoa anualmente.

A aproximação em torno dessa discussão vem ocorrendo desde o fim de 2010, aponta o diretor da Seinfra. Naquele ano, foram anunciados R$ 217 milhões, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC2), a serem investidos ao longo de cinco anos em obras de dragagem, segundo a combinação de o Brasil fornecer condições de navegação na região – o Uruguai também deve receber investimentos nesse sentido, tanto do governo quanto da iniciativa privada, para a construção de terminais portuários. Até o fim de 2012, Woiciechoski espera que sejam concluídos o plano diretor e a regulamentação da navegação, para dar início às obras em 2013. A gestão da hidrovia será estadual, por delegação da União.

O debate sobre a implantação de uma hidrovia que ligue as duas lagoas existe há mais de cem anos, indica o presidente da Associação Brasileiras de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli. “Ela é estratégica para facilitar e baratear o transporte, além de ampliar o desenvolvimento da região Sul”, defende. Em um panorama mais amplo, a hidrovia viabilizaria o corredor multimodal entre Montevidéu, no Uruguai, e São Paulo. Para o dirigente, a hidrovia seria uma grande alternativa para desafogar o trânsito da região – a BR-116 e a BR-392, que formam o principal acesso ao Porto de Rio Grande, são gargalos entre as rodovias brasileiras -, mas depende de uma postura mais firme do Estado.


Manteli estima que as hidrovias navegáveis foram reduzidas de 1,2 mil a 700 quilômetros nos últimos 40 anos. Em compensação, o comércio do Mercosul, aponta o presidente da ABTP, é movimentado principalmente pelo modal rodoviário. Por isso, ele destaca a importância de explorar a rede hidroviária entre os demais países do Mercosul. “É muito mais barato, mais competitivo e polui menos”, considera.

Fonte: Logística Descomplicada