quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Floresta e o Petróleo



Basta sobrevoar a Amazônia para entender do que se trata: mata, muita mata. E muito densa. É uma massa verde tão compacta que um macaco com propensão ao turismo poderia pular de galho em galho do sopé dos Andes até alcançar o oceano Atlântico. Percorria nesse trajeto 3,5 mil quilômetros em linha direta, uma distancia continental, semelhante à que separa as cidades de Lisboa e Moscou. É por isso que a percepção de Adonias Pereira, um carioca risonho de 29 anos, soa tão estranha. A floresta para ele é sinônimo de mar.
Pereira faz parte de um time de 1,5 mil homens e mulheres que trabalham em uma província petrolífera explorada pela Petrobras, incrustada no coração da Amazônia. O lugar é isolado – como tudo (e todos) na maior floresta tropical da Terra. Fica à margem do rio Urucu, , na bacia de Solimões, 650 quilômetros a sudoeste de Manaus. Ali, só se chega de barco, em percursos tão exaustivos que se tornam proibitivos, ou em vôos com acesso restrito. Eles são especialmente contratados pela estatal para transportar seus trabalhadores. “ Vivemos cercados”, diz Pereira. “É como se estivéssemos em uma plataforma marítima, no meio do oceano”.



É esse “marzão verde”, como define o rapaz, está agitada. A Petrobras retira petróleo e gás em Urucu desde 1986. Nos últimos dois anos, anunciou a descoberta de dois novos poços na região. O primeiro chamado de Igaparé Chibata. Ele foi encontrado no fim de 2010. Desde então, está sendo submetido a testes de produção. O objetivo das análises  é estabelecer o tamanho e a viabilidade da exploração comercial do reservatório. O segundo poço, batizado de leste Chibata, é bem mais fresquinho. Foi descrito publicamente em fevereiro. 

Nos comunicamos oficias dos dois achados, a empresa foi comedida. Não poderia agir de outra maneira. A companhia tem a obrigação de evitar sobressaltos no mercado ao divulgar novas descobertas. Mas no coração da floresta, a localização dos novos poços teve um impacto bem diferente. O clima, ali é de euforia. Os petroleiros cunharam até uma frase, uma espécie de slogan, que define a expectativa em torna da nova frente de exploração “Até hoje, com Urucu, havíamos encontrado o rabo” Agora, achamos o elefante.


O tamanho desse bicho de hidrocarbonetos ainda é um mistério. A análise técnica das concentrações de óleo e gás pode se arrastar até o fim desde ano. Sabe-se, contudo, que o petróleo de Chibata segue um padrão de qualidade semelhante (ou superior) ao de Urucu. Ambos são de primeiríssima linha. O óleo da Amazônia, dizem os técnicos, é leve – menos viscoso que o similares encontrados em outros pontos do país. No quesito pureza, o óleo que se esconde sob mata só encontra equivalente só encontra equivalente no Oriente Médio.


Fonte: Revista Época Negócios -  Ed.63, pág.100



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