Neste início
de século XXI em que surge como a sexta maior economia do planeta, o Brasil tem
um sério obstáculo a sua frente: a sua malfadada infraestrutura logística. Seu futuro
depende basicamente de como desatará o nó que impede o seu crescimento, que
pode vir a se revelar apenas um nó górdio. Como se sabe, a expressão refere-se
a um rei de nome Górdio, na Frígia, que deixara sua carroça atada a uma coluna
no templo de Zeus, até que Alexandre, o Grande, em 334 a.C., com uma espada bem
afiada, rompeu o nó que a prendia, tornando-se senhor da Ásia Menor em pouco
tempo.
Seja como
for, qualquer que venha a ser a opção, o caminho passa pela iniciativa privada.
Em outras palavras: para enfrentar as dores de seu crescimento, o País precisa
adotar uma agenda eminentemente técnica. Se continuar a insistir numa agenda
política, não irá a lugar nenhum porque o governo tem se mostrado um mau
gestor.
Um bom exemplo dessa ineficiência é o Plano Nacional de Logística e transportes (PNLT), que, lançado em 2007, previa transformar até 2023 a matriz de transporte, dando ênfase às ferrovias. Como carta de intenções, o PNLT apresenta pressupostos corretos e pontos extremamente interessantes. Segundo o PNLT, a expectativa é que até 2023 a participação do modal ferroviário cresça de 25% para 32%, o aquaviário se eleve de 13% para 29%, o dutoviário vá de 3,6% a 5% e o aéreo de 0,4% para 1%. Se atingidas essas metas, a participação do modal rodoviário, principalmente no transporte de cargas, cairia de 58% para 33%.
Mas, passados cinco anos, o que se vê é que o PNLT foi praticamente abandonado, a pretexto de se dar maior visibilidade ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, no fundo, não passa de uma jogada de marketing, pois constitui apenas um roteiro de obras como o que todo governo se propõe a executar.
Como algumas das integrações apontadas como fundamentais pelo PNLT não saíram do papel, a preconizada mudança da matriz de transporte não parece destinada a acontecer no prazo previsto, tal o atraso de certas obras. Sem contar que o Ministério dos Transportes continua a investir a maior parte de seus recursos em rodovias. E, mesmo assim, a malha rodoviária continua deficiente e mal cuidada
Fonte: Logística Descomplicada

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